sábado, 17 de janeiro de 2026

Reflexão sobre Desafios

 Reflexão sobre Desafios



Os desafios inerentes à própria vida muitas vezes nos surpreendem: aquilo que nos parecia seguro e estável mostra-se vulnerável, ameaçador, perigoso; o inesperado paralisa, a confusão de ideias e crenças avança sem piedade em nossa direção, afastando a clareza, nos deixando escorregar numa montanha russa emocional. O corpo também se ressente, e nos distanciamos da conexão com a voz da alma. Quando nosso diálogo interior é interrompido, medos e inseguranças mobilizam velhos gatilhos, e a vitimização impede respostas e soluções mais adequadas aos nossos dilemas.

Mas, vamos combinar que precisamos nos acalmar, refletir, tomar decisões. O primeiro passo é equilibrarmos os aspectos emocional e energético, aplacando a ansiedade, abrindo caminho para um bom diálogo interior. Portanto, sem ideias perfeccionistas neste momento, o negócio é encontrar um canto onde se possa apoiar os pés no chão, encostar a coluna, sentada ou deitada, como for possível. A respiração, em busca de harmonia, é o início. Vamos nos acalmando inalando e exalando lentamente, entendendo como estamos nos sentindo, colocando as ideias e sentimentos em alguma ordem mais coerente. Sentimos nosso coração, suas batidas, colocando uma das mãos sobre essa força maravilhosa de vida, e a outra mão um pouco mais abaixo. Vamos nos permitindo imaginar raízes fortes saindo de nossos pés em direção à terra, intencionando receber nutrição através do aterramento. Prosseguimos respirando, lentamente, tranquilamente, e criamos agora uma ponte saindo do topo da cabeça intencionando conexão com a fonte, aquela de nossa compreensão. Sabendo que a nossa energia está onde está a nossa consciência, vamos nos concentrando em cada parte de nosso corpo, dos pés até a cabeça, desacelerando, respirando e sentindo, passeando por ele. E assim, usando a pausa da ansiedade, começarmos a pensar, a nos questionar, sobre a mudança, que tudo indica, agora será necessária em algum nível. Se já desaceleramos, respiramos mais fundo, e sabemos como estamos nos sentindo, papel e caneta à mão. É hora de perguntarmos àquela parte que nos intui e só ouvimos quando silenciamos a mente sobre intuições para iniciarmos um processo: o que está realmente acontecendo, com quem podemos contar, precisamos de ajuda, por onde começamos? São muitas perguntas e a organização e a calma são fundamentais, muito mais do que escavarmos motivos nesse momento, porque estacarmos no mundo das ideias é bloquear as ações necessárias. Mais adiante haverá tempo para investigações sobre causas. Como nos fortalecemos? Para o medo, informações atualizadas e confiáveis, grupos de apoioterapiasaconselhamentos, amigos próximos. Tempo de soltar a nossa voz que andou adormecida, nos comunicarmos, estarmos presentes em consciência, com determinação, acreditando na possibilidade de aprendermos novas maneiras de nos posicionarmos na vida e superarmos as adversidades. Com esperança, cuidarmos das influências que nos abatem, pois a hora é de coragem e proatividade. Desafios, com toda a sua dureza, são mestres pelo lado avesso que nos ensinam sobre nossa força interior e resiliência. É hora do enfrentamento que a alma feminina conhece bem, e que sabe exatamente quando dizer “Basta!”.

É seguindo em frente que mais adiante poderemos compreender por onde estivemos, as crenças que nos dirigiram, as portas que abrimos e onde nos equivocamos; ou compreender que algumas de nossas aventuras e romances por essa vida foram as soluções mais criativas que pudemos manifestar naqueles contextos. Sem culpas paralisantes, é possível dar sequência a ressignificações. Gosto de pensar que ressignificar é como olharmos para uma estante de livros com suas infinitas possibilidades de organização, ou olharmos para uma paisagem de vários ângulos. As visões e interpretações mudam, e se nem sempre é algo prazeroso, trata-se de um processo libertador, onde dores e traumas recebem novos sentidos, mais perdões, gerando mais fôlego, mais força, transformando velhas crenças sobre impotências. Nesse caminho, feito de absoluta honestidade, internamente, pouco a pouco vamos criando novas alternativas, para mais tarde podermos compartilhar a sabedoria adquirida: ensinarmos sobre o verdadeiro pertencimento, o perdão a si mesmo, e aos outros dentro das possibilidades, o desapego ao que não mais nos serve, a aceitação de falhas aprendendo com elas.Conhecendo nosso novo ritmo e estilo desejado de vida, nos reconciliamos com a própria história, e sim, aí temos condições de ajudarmos a quem vem vindo e necessita dessa força para prosseguir. Honrar as próprias experiências com gratidão é uma linda forma de ressignificação, pela transformação da dor em aprendizado a serviço da vida. Para que a vida volte à vida, é preciso habitar a própria alma. Cito Viktor Frankl, “não é o que você espera da vida, mas o que a vida espera de você”.  

 

 

terça-feira, 7 de outubro de 2025

POESIAS MUSICADAS


https://youtu.be/B8-UAHwMd9U?si=ZAd9iSH4eisdiyu2

Projeto Mandala vol 1, e ainda Mandala 2, tudo no Spotify também. E sempre músicas novas, cheias de poesia e criatividade. 


Este é um link muito especial, emocionante, porque remete ao amor entre mãe e filho. É feito de poesias musicadas, que refletem momentos da vida cantadas. Ah, a música, sempre mágica! Com arranjos e vozes que tocam a nossa alma, meu filho me deu esse presente: fez a produção musical das letras de minhas poesias, e palavras que andavam meio esquecidas na gaveta ganharam nova vida!

Compartilho aqui o link para que vocês possam também vibrar conosco, e aguardo os comentários.

(96) IV@NSC - YouTube 

http://youtube.com/post/UgkxOh1YiiQpwAl-BawP_1yYt4u_cyRUWKex?si=u9rgWVQmGy7AgmYg 

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

לזכור זה לחיות, מסכים?

 

                        ?לזכור זה לחיות, מסכים

גרה פה ושם, אני מתאמנת על שחרור ההיקשרות. את הדרך שלי אני יוצרת תוך כדי הליכה, ובאמצעות הסיפורים של הפינות שלי אני מגלה את החירות שבתוכן המממש. כמו צעיף שמוסר, אני מוסיפה עוד תיבול לתזונה רוחנית שמגלה את סודותיה. אני יודעת שההחלטות הפנימיות הן שמניעות את עולמנו; אני מאמינה שכל מצב שמופיע מולנו מכיל בתוכו שאלות, שבאופן מעשי הופכות להזדמנות לצמיחה.

יום אחד, לא מזמן בישראל, עדיין בתקופת לימודי העברית, קיבלתי שיחת טלפון מבני, שכבר היה בארץ שנה, ואמר לי שהכניס את שמי לתוכנית רדיו שמציגה חיילים עולים ואמותיהם. הייתי אמורה להתראיין בפסח, יחד עם אמהות אחרות באותו מצב. פתאום, התחלתי לדבר עברית (או בעצם עברינגליש) בטלפון, כשכתבת התקשרה אליי כמעט כל יום. יש רגע שבו את נרגעת ונותנת לדברים לזרום, וזה הפך למהנה לדבר איתה. וכך הלכתי לראיון. דיברתי, הצטלמתי, הכול זרם יפה.

כדי להוכיח שלעולם איננו לבד, מצאתי גם את משפחתי הישראלית בארץ, ממש כמו קסם. "צירוף מקרים" משמח, שהגיע דרך חברה ברזילאית, גרם לי לשלוח פתק לקיבוץ שידעתי, לפני שלושים שנה, היה מקום מגוריו של בן דוד שכבר נפטר מזמן. אבל, עם שם המשפחה ודרך קשר שצץ מולי, "הקול הקטן" אמר לי לנסות לברר על ילדיו של אותו בן דוד. אחרי תוכנית הרדיו (שמעתי אחר כך שהמשפחה החדשה, שמעולם לא ראתה אותי, צפתה בי כי זה שודר גם בטלוויזיה), תפסתי טרמפ עם זוג רוסי עד שהצלחתי לעלות על אוטובוס, עם טלפון פתוח, והגעתי לקיבוץ שבו המשפחה חיכתה לי. מרגש! דיברתי עם בני דודים שלי בעברית (בסגנון אינדיאני) במשך שלושה ימים. הייתי מותשת, אבל זה קרה. ברגע הצורך, אין "מה אם?" שיכול לשתק אותנו.

לפעמים אני חושבת שאם נצליח להוריד את רמת החרדה לגבי מה שיקרה בעתיד, ופשוט נבטח באינטואיציות שלנו, מניפת האפשרויות נפתחת ומראה דלתות. ידעתי שעליי לעזוב את מרכז הקליטה שבו הייתי לאחר שישה חודשים, ושם הייתה התחנה הבאה שלי. הייתי צריכה לבחור. עיר? קיבוץ? עבודה? ומה עם אישור התואר? אה, זו כבר סיפור אחר! איך הייתה האנרגיה שלי? מה הייתי רוצה לעשות קודם בישראל? והייתה לי הוודאות — כששמעתי רק את הקול הפנימי שלי שצעק על הגבולות והאפשרויות שלי, מזכיר לי את החיים החדשים — שאני צריכה, קודם כל, להרגיע את הרגשות שלי.

רציתי, אם כן, ובחרתי להרגיש קרובה לאנשים שהיו מוכנים לקבל אותי, לשקם את האנרגיה שלי ליד הטבע, ולסדר את הרעיונות והרגשות שלי. היום אני עדיין גרה בקיבוץ, כי אני אוהבת להעריך את יצירת המופת של הטבע שסביבי. עד מתי? האמת, אני לא יודעת. מי יודע? אני גם לומדת לקבל את הזמן הנכון של הדברים.

אני מאמינה ששינוי, לא משנה מהו, הוא תמיד תהליך מורכב. אנחנו מתעקשים לשים את הישן בנוף של החדש עד שנגלה שכל רגע הוא ייחודי, והחזרה נשארת בראש שלנו, לוקח זמן לעצור אותה. בינתיים, אנחנו עוברים "ניקוי", כדי שנוכל לבחור מה אנחנו רוצים בהקשר החדש הזה. אבל, כמה שזה כואב, בואו נודה — אין כמו לראות את עצמנו מתגברים על מכשולים... רק כדי להתחיל הרפתקה חדשה, שוב, בריקוד הזה שנקרא חיים.

Recordar é viver, concorda?

                     Recordar é viver, concorda?

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Morando aqui e ali, vou treinando o desapego. Minha estrada eu faço caminhando, e com as histórias dos meus cantinhos vou descobrindo a liberdade nos seus conteúdos realizadores. Como um véu que é retirado, adiciono mais tempero a uma alimentação espiritual que mostra seus mistérios. Sei que são as decisões internas que movem nosso mundo; acredito que cada situação que nos aparece pela frente contém em si questões, que de forma prática, tornam-se uma oportunidade para o crescimento.
Um dia, há pouquíssimo tempo em Israel, ainda no período de estudos do hebraico, recebi um telefonema de meu filho, que já se encontrava há um ano no país, dizendo que havia colocado meu nome num programa de rádio que apresentava soldados imigrantes e suas mães. Eu daria uma entrevista, em Pessach, juntamente com outras mães na mesma situação. De repente, eu passei a falar hebraico (ou melhor, hibringlish) por telefone, interrogada pela repórter, que me ligava quase diariamente. Tem uma hora que você relaxa e deixa rolar, e passou a ser divertido falar com ela. E lá fui eu para a tal entrevista. Falei, tirei foto, tudo fluiu direitinho. Como para comprovar que nunca estamos sós nessa vida, também tinha encontrado, magicamente, minha família israelense no país. Uma feliz “coincidência”, canalizada por uma amiga brasileira, me fez mandar um bilhete para um kibbutz que sabia, há trinta anos atrás, era onde morava um primo que já havia morrido há muito tempo. Mas, com o sobrenome e um contato que surgiu na minha frente, a “vozinha” me disse para tentar saber dos filhos desse primo. Depois do tal programa de rádio, (soube depois que a nova família, que nunca tinha me visto, me assistiu porque passou também na televisão) peguei carona com um casal russo até poder me enfiar num ônibus, celular ligado, e cheguei ao kibbutz onde a família me esperava. Emocionante! Falei com meus primos em hebraico (de índio) por três dias. Fiquei exausta, mas aconteceu. Na hora da necessidade, não há “e se?” que nos paralise.
Às vezes penso que se conseguirmos baixar o nível de ansiedade sobre o que nos ocorrerá no futuro, e simplesmente confiarmos em nossas intuições, o leque de possibilidades se abre, mostrando portas. Sabia que deveria deixar o Centro de Absorção onde me encontrava após 6 meses, e ali estava minha próxima parada. Eu precisava escolher. Cidade? Kibbutz? Emprego? E a revalidação do diploma? Ah, essa é outra história! Como andava minha energia? O que gostaria de fazer primeiro em Israel? E tive a certeza que - ouvindo apenas a minha própria voz que gritava lá dentro sobre meus limites e possibilidades relembrando-me sobre a nova vida - necessitava, antes de mais nada, acalmar as minhas emoções. Desejei, então, e escolhi sentir-me perto de pessoas que estavam dispostas a me receber, recuperar minha energia perto da natureza, e colocar minhas ideias e sentimentos em ordem. Hoje ainda moro em kibbutz, porque adoro apreciar a obra-prima da natureza ao meu redor. Até quando? Na verdade, não sei. Quem sabe? Também estou aprendendo a aceitar o tempo certo das coisas.
Acredito que mudar, seja lá o que for, é sempre um processo complicado. Nós teimamos em colocar o velho na paisagem do que é novo até descobrirmos que cada momento é único, e a repetição fica em nossa cabeça, demora a parar. Enquanto isso, passamos por uma “faxina”, para que possamos escolher o que desejamos nesse novo contexto. Mas, por mais que doa, vamos combinar, não há nada como se ver superando obstáculos...só para começar uma nova aventura, outra vez, nessa dança que é a vida.