segunda-feira, 9 de março de 2020

Criando um novo estilo

Hoje saí às compras sozinha, relembrando a minha desenvoltura anterior, há anos atrás, antes do retorno ao Brasil. É interessante como perdemos um pouco a mão à medida que passa o tempo, como se eu nunca tivesse andado de ônibus em Israel, pra lá e pra cá, e tivesse que recomeçar a aprendizagem. A imaginação se atualizou e tudo bem, foi ótimo. Desenferrujei, comprei coisas lindas pra mim e  pra casa e voltei ao kibbutz satisfeita. Falei meu hebraico do jeito que deu para especificar o que buscava, e encontrei vendedoras gentis e pacientes. Ao voltar, ganhei uma carona até em casa, carregada de pacotes grandes como estava, o que me deixou aliviada, porque não ia ser fácil a caminhadinha pela frente.
Adaptação é um negócio delicado. Funciona como uma espécie de faxina nos hábitos, fazendo uma nova distribuição de prioridades, que a gente vai descobrindo com o tempo. Nem sempre é fácil desistir de algumas coisas que não combinam mais com as mudanças que foram autorizadas. A gente se esforça daqui, empurra dali, mas lá dentro algo mudou, e não dá mais pra prosseguir sem ouvir a si mesmo pedindo transformações no estilo, mesmo que ainda mantendo algumas coisas do modelito anterior.
Só sei que um dia a gente se olha no espelho e percebe que tudo está diferente, as coisas não fazem mais o mesmo efeito, sei lá. A visão agora pede novas lentes, porque as de antes não permitem alcançar o que é necessário nesse momento. Não é nem bom nem ruim, apenas é...
E aí, a gente pensa direitinho e decide gostar do novo jeito de ser, deixando que saudade seja apenas uma viagem pela nossa história, mas com data marcada para o retorno ao aqui e agora.

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