quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Velhos ciclos se fecham...e novos se abrem, claro!

A decisão do retorno foi demorada. Oito anos mais ou menos, resolvendo um pouco mais minha brasilidade e os afetos aqui deixados. Até que ficou claro que o antigo sonho de amadurecer num kibbutz, perto da família, estava na hora de se manifestar, levando os pertences. Quais? A gratidão por todas as bênçãos recebidas em minha vida. Ganhei muito, em vários níveis, morando em diferentes cantos brasileiros, deixando amigos em cada um deles, e ouvindo os murmúrios sobre não parar quieta. Foram poucos os que compreenderam meus passos nessa vida, enquanto dentro de mim a voz me dizia que o mundo e a vida com suas diferenças me traria a verdadeira cura e uma consciência mais ampla.
Assim, enfrentei o esvaziamento da casa, pela enésima vez, completamente segura, hoje, de que reiniciar é o meu tema preferido, pelo que tudo indica. Prefiro chamar de renovação, já que a cada segundo é isso que acontece num processo mágico e divino. No início, não achei que conseguiria. Mas, entre vendas, doações e desapegos, fui selecionando as importâncias na bagagem que levo comigo. Um verdadeiro brechó apareceu diante de meus olhos, mostrando como guardamos e guardamos, e depois ainda guardamos mais. Um tal de picar papéis, de lembrar de tratos feitos comigo mesma sobre novas atitudes, de pescar lembranças pairando no campo ao meu redor e dentro de mim, de portas se fechando, de perdões acontecendo, de lágrimas e saudades lavando a alma; um tal de sentir, de dormir, de descansar, de resmungar que não daria conta...e aí está: casa vazia.
Uma certa sensação de "Ai, meu Deus!", mas que passa a cada passo que dou. No chão da sala, um colchonete com travesseiros e cobertores, já prometidos a alguém interessado ao final desse processo; cozinha sem nada, a não ser uma loucinha básica, alimentos que não necessitam de fogão e geladeira, e água e café fornecidos pela vizinha. Vivendo cada dia de uma vez até o momento da partida, da vida nova, do retorno, de novos personagens, e das prováveis também novas maneiras que serão criadas. Espero.

2 comentários:

Patrícia disse...

Seu nome é "Disposição" e seu sobrenome é "Coragem"! Leio seus textos - tão inspiradores - e penso que um dia também gostaria de me libertar assim.

Rutty steinberg disse...

Obrigada, Patricia, por poder te tocar assim. Desejo a você toda a linda liberdade dessa vida.