Ontem, vi Julie & Julia. Essa delicia de filme bateu em cheio com minha vontade de registrar mais vivencias no blog.
Uma vez ouvi que devemos esquecer o Brasil para podermos viver em Israel. Sera? Talvez nao possamos ter tudo que tinhamos por la, e nao da mesma forma...mas o que se passa em nosso intimo nao obedece a tempo e espaco. Ser e muito maior que qualquer pais. Ninguem deve tentar jogar fora toda a cultura de uma vida, despejando o bebe junto com a agua do banho. Alguns habitos podem mudar, outros permanecem, e e funcao da nossa criatividade fazer essa integracao. Nesses tres anos que estou aqui, li tantos livros e vi tantos filmes (tornando-me bem mais habil em meu computador), e apesar de nao estar trabalhando formalmente (com excecao de alguns "bicos" no kibbutz, quando estou bem disposta), dentro de mim as coisas estao em constante movimento, ajudando-me a perceber cada vez de forma mais ampla minha "alia". Quando recebo mensagens de leitores perguntando sobre detalhes desse processo (sobre trabalho, moradia), so posso responder com os aspectos da propria experiencia, que tem uma tonalidade emocional, ja que foi nesta materia que me especializei. Nao e pra menos que tenha me marcado tanto a transformacao que escolhi fazer na vida profissional. Encarei o ponto final para mais estudos formais visando titulos, e decidi seguir por novos rumos, que lentamente, estao sendo descobertos. Nao foi nada facil, e muitas crises de ego ferido foram necessarias para chegar ao que considero essencial: viver com simplicidade e coracao aberto as experiencias. Cada vez mais holistica, agradando a crianca interna que nunca envelhece.
Outro dia me dispus a dormir 4 hs da manha, so pra ver a estreia da novela das 8, na TV Globo. Saudades, fazer o que? Nao da pra fazer sempre, trocar o dia pela noite, mas de vez em quando, por que nao? Pra matar mais ainda a saudade, hoje estive com um grupo de brasileiros que visitaram o kibbutz onde vivo. Chamada pelos amigos do pub, onde haveria uma refeicao a sua espera, eu poderia participar do encontro, o que me alegrou. E la fui eu, assistir primeiro a festejos de Shavuot, e depois estar com essas pessoas.Escutava o portugues e vibrava.. Entrei no espaco sentindo-me muito a vontade, como se o tempo fora do Brasil nunca houvesse existido, perfeitamente consciente de estar em Israel. Sentei-me com gente interessante, e a conversa transcorreu solta, natural, talento de brasileiros, e espero que isso nunca mude, o bom papo, os abracos, tudo espontaneo. Enquanto ia contando minhas aventuras em Israel, recebia com prazer as dicas de novos caminhos artisticos. Sao toques que podem tornar mais gostosa a parada para reformas em minha vida. Adorei ouvir as experiencias dessas pessoas, que iluminaram um pouco mais o caminho. Nao encontrei nenhuma vitima, so gente pra cima. Valeu, pessoal!
Meu grande desafio e viver meu tempo, coisa que tantos querem, e nem imaginam a profundidade desse processo. Nao e a toa que existem tantos estudos sobre aposentadoria. Quando trabalhei alguns anos com projetos de terceira idade, nem imaginava que estava fazendo um curso preparatorio. Mas, ja entendi. Nada para, apenas se transforma. Somos todos seres criativos. Nossas experiencias sao relativas. Dependem inteiramente da importancia que damos a elas, e sempre num dado momento. Constato que nao lutar contra a resistencia ainda e o melhor jeito de se viver. Um dos seus grandes truques e criar um grande teatro, cheio de dramas, futuro projetado na tela da imaginacao ou passado ressentido, melancolico e/ou saudoso. Estao ali as emocoes que fecham a porta para a vivencia de amar a cada segundo tudo que se manifesta. No Brasil, ou em Israel, ou em qualquer outro lugar, sao apenas polaridades que quando observadas de fora se desfazem. Pura ilusao.
Pra quem le o que escrevo, obrigada pelos lindos e-mails e comentarios. Um abraco carinhoso, com jeitinho de Brasil/Israel.
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1 comentários:
Oi Rutty, confesso que li tudo o que vc escreveu e senti algo que tanto reclamo com minhas amigas, sim existem pessoas que sabem viver! A angustia de se viver o passado e o futuro e nunca ter tempo para viver o presente, é algo que me deixa sem vontade muitas vezes de viver, afinal que vida é essa que vivemos? Só a pouco tempo pude perceber o qto eu nao vivi, nao tenho muitas experiencias mas percebi que até hj vivi 22 anos remoendo o passado e planejando o futuro, e o presente? Esse confesso que ainda não o conheço, mas manifesto a vontade imensa de me desgarrar de todos os personagens criados aqui dentro para só assim poder talvez viver o que é realmentea minha naturaeza. "Crise de ego", digo isso pra tantas pessoas e as mesmas me consideram até louca, e para os mais ignorantes, retardada, mas tenho tanta convicção de que nunca vivi o presente que acabo concluindo que talvez muitos nunca viveram o presente assim como eu, mas esses nao querem assumir e nao querem viver, realemnte é um processo dolorido e que aos olhos alheios é estagnante mas só quem se propoem a viver assim sabe o qto lá dentro se movimenta. Não te conheço pessoalmente, mas sinto de graça uma alegria ao ler o que escreve. bjos
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