São 5:30 da manhã de uma 5a.feira. Despertei naturalmente. Tudo ainda escuro lá fora.
Depois de um café gostoso, sento-me de frente para as plantas que compõem uma cortina verde em minha janela. Percebo que a transição da escuridão para a luz me encanta. Momento altamente espiritual.
Respiro, ouvindo os pássaros se preparando para alegrar com seus vôos as árvores diversas que moram nesse kibbutz. Vejo o pinho que guardei junto aos cristais, e sorrio pelo presente colocado na porta de minha casa.
Está frio, mas não muito. Deixo que esse ar azul índigo preencha meus pulmões. Planto meus pés na terra, após uma noite de mais trabalho inconsciente.Talvez tenha subido mais um pouco nessa escalada íngreme de meu muro. Despeço-me das antigas aventuras, que pareciam tão saudosas, talvez reclamando um retorno aos velhos filmes, reproduções baratas de questões mal resolvidas: medos, rejeições, carências que atraíram suas contrapartes ao longo de tantas escolhas. Abro-me para o novo.Para que voltar? A energia vital sobe por todas as partes do corpo, e expande meu coração.
Levanto-me. Pela força do amor, refaço-me das desordens provocadas por Mika, minha companheira, que dorme encolhida entre suas patas. Libero-me dos resmungos, amando e dando limites ao mesmo tempo, e dou graças por sua lealdade.
E, pousando as mãos em cada canto do espaço, vou limpando as desarmonias que andei criando, sozinha, enquanto agradeço tudo estar bem no aqui e agora. É verdade! Minha vida está como deve ser, e por esse motivo, continuo criando, dançando mudanças que elevem e mantenham movimento. A isso chamo alquimia.
Olho novamente para fora. Já está amanhecendo. A luz está voltando! Já posso apagar a lâmpada!
Escuto os latidos dos cães que anunciam o despertar da comunidade. É hora de sair, ativar esse corpo que abriga minha luz acesa.
Alegremente, convoco Mika para nosso primeiro passeio, e lá vamos nós dar "bom-dia!" às flores, absorvendo as cores de mais uma manhã. Sempre nova, refrescante. Inédita!
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