terça-feira, 25 de novembro de 2008

Decisoes


Morando aqui e ali, vou treinando o desapego. Descubro que lugares geograficos sao pura ilusao se estiver muito perto da forca que vem do coracao. Minha estrada eu faco caminhando, e com as historias dos meus cantinhos esquecidos vou descobrindo a liberdade, porque seus conteudos sao sempre realizadores. Como um veu que e retirado, adiciono mais tempero a uma alimentacao espiritual que mostra seus misterios. Sei que sao as decisoes internas que movem nosso mundo; acredito que cada situacao que nos aparece pela frente contem em si questoes, que de forma pratica, tornam-se uma oportunidade para o crescimento.
Um dia, ha pouquissimo tempo em Israel, no Merkaz Klita em Raanana, recebi um telefonema de meu filho, que ja se encontrava ha um ano no pais, servindo 6 meses de Exercito, dizendo que havia colocado meu nome num programa de radio que apresentava soldados imigrantes e suas maes. Eu daria uma entrevista, em Pessach, juntamente com outros na mesma situacao. De repente, eu passei a falar hebraico (ou melhor, hibringlish) por telefone, interrogada pela reporter, que me ligava quase diariamente. Tem uma hora que voce relaxa e deixa rolar, e passou a ser divertido falar com ela. E la fui eu a tal entrevista. Falei, tirei foto, tudo fluiu direitinho. Como para comprovar que nunca estamos sos nessa vida, tambem tinha encontrado, magicamente, minha familia de sangue no pais. Uma feliz “coincidencia”, canalizada por uma amiga, me fez mandar um bilhete do Centro onde estava para um kibbutz que sabia, ha trinta anos atras, era onde morava um primo que ja havia morrido ha muito tempo. Mas, com o sobrenome e um contato que surgiu na minha frente, a “vozinha” me disse para tentar. Depois do tal programa de radio, onde a nova familia, que nunca tinha me visto, me assistiu (passei tambem na televisao, hahaha), me enfiei nos onibus da vida, celular ligado, cheguei ao kibbutz. Falei com meus primos em hebraico (de indio) por tres dias. Fiquei exausta, mas aconteceu. Na hora da necessidade, nao ha “e se?” que nos paralise.
As vezes penso que se conseguirmos baixar o nivel de ansiedade sobre o que nos ocorrera no futuro, e simplesmente confiarmos em nossas intuicoes, o leque de possibilidades se abre, mostrando portas. Sabia que deveria deixar o Centro de Absorcao apos 6 meses, e ali estava minha proxima parada. Eu precisava escolher. Cidade? Kibbutz? Emprego? E a revalidacao do diploma? Como andava minha energia? O que gostaria de fazer primeiro em Israel? E tive a certeza que ouvindo apenas a minha propria voz, que gritava la dentro sobre meus limites e possibilidades, relembrando-me sobre a nova vida, necessitava, antes de mais nada, acalmar as minhas emocoes. Desejei, entao, e escolhi sentir-me perto de pessoas que estavam dispostas a me receber, recuperar minha energia perto da natureza, e colocar minhas ideias e sentimentos em ordem.Hoje moro aqui, nesse mesmo kibbutz, que e realmente uma obra-prima da natureza.Ate quando? Na verdade, nao sei. Tambem estou aprendendo a aceitar o tempo certo das coisas.
Acredito que mudar, seja la o que for, e sempre um processo complicado. Nos teimamos em colocar o velho na paisagem do que e novo, e ate descobrirmos que cada momento e unico, e a repeticao esta em nossa cabeca, demora. Enquanto isso, todos os arquetipos passam por uma “faxina”, para que possamos escolher o que desejamos nesse novo contexto. Mas, por mais que doa, vamos combinar, nao ha nada como se ver superando obstaculos...so para comecar uma nova aventura, outra vez, nessa danca que e a vida.

1 comentários:

Renata disse...

Quanto mais leio os seus textos,mais chego a conclusao que nada ocorre por acaso e mais que isso,cada coisa acontece no seu tempo,nao adianta querer apressar os fatos.
Muito obrigada por suas palavras,elas muito me ajudam.
Sucesso sempre!!!!!!!!!