segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A Força da Superação

Terminando de ler "A Bibliotecária de Auschwitz", de Antonio G. Iturbe, lágrimas emocionadas e uma reflexão inevitável.
Durante minha adolescência li muitos livros sobre a segunda guerra e o nazismo, tema bastante presente nos lares judaicos. Sempre impressionada com a crueldade descrita, admirava Simon Whisenthal, o caçador de nazistas, Erich Fromm com suas análises de caráter dessa turma de magos negros, e me perguntava como isso poderia ter acontecido. Como era possível, por que não se defenderam? E à medida que ia me informando, e amadurecendo, percebia a impotência de todos, o que feria a alma e me enchia de medo.
Conheci algumas pessoas marcadas com o número de série, e até quem conseguiu fugir dos campos de concentração. Os anos se passaram, e escolhi a carreira de psicóloga, também ouvindo depoimentos fortes, estudando, trabalhando e abraçando a espiritualidade sem caráter religioso ou dogmático, diante de inúmeras perguntas que pediam respostas.Mas, as teorias, na maioria das vezes, descrevem. no lugar de explicar, e há um momento em que as histórias nos dizem mais da capacidade humana.
Aquilo que aparece em nossa mente objetiva é uma pontinha do iceberg, sem querer ser original. Já tinha ido a Israel quando jovem, e novamente fui rever a terra prometida, agora já madura,
Foi no kibbutz onde morei que conversei abertamente com um senhor de seus 70 anos, e percebi a força da superação e da intenção que existe nos seres humanos. Ele me contou que ao entrar no campo de concentração disse a si mesmo que ali não morreria. Haja coragem! E escapou, sem querer me contar detalhes, o que respeito profundamente. Ao pisar em Israel, afirmou outra vez a si mesmo que tudo tinha acabado, e ali se iniciava vida nova. E foi o que aconteceu, Não olhou para trás, seguiu sua vida. Esse homem nada diariamente uma hora na piscina, tem um corpo físico em forma, e faz um trabalho voluntário no museu do Holocasto com jovens do exército, além de ter adquirido sabedoria e maturidade para um estilo que irradia paz. Sei que há muitos como ele, assim como há muitos que não querem esquecer.
Também lembrei de Viktor Frankl, com sua força, coragem e criatividade, tirando desse filme de terror uma escola de pensamento para ajudar pessoas, associada a significados que damos a nossa vida. Conhecer seus depoimentos traz lições e mais lições, mas principalmente nos ensina sobre a mágica da superação.
E agora Dita Kraus, personagem da história baseada em fatos reais. Mais uma lição de vida e de coragem. Trata-se de uma verdadeira heroína que escolheu viver, assumindo, ainda garotinha, os riscos da morte, que todos nós sabemos existir, mas fingimos não ver, sentados em nossa zona de conforto.Faz questionar os próprios valores.  Nesse livro , mais uma vez, conheci histórias que me fizeram chorar, mas não com a usual vitimização, e sim com a profundidade de quem ama a vida e não desiste de lutar por ela. E aí, as pequenas reclamações de cada dia, nas quais todos nós vez por outra embarcamos, se tornam ridículas. Traz á tona a gratidão pelas condições das quais usufruimos, hoje, transformando os valores sobre tempo e possibilidades de todos os momentos, sem resmungos ou desistências. Um brinde à vida! Le Chaim!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A viagem de volta ao Brasil

Foi numa quinta feira o dia do retorno ao Brasil. Meu filho me acompanhou no trem, e a nossa despedida foi regada pelas minhas lágrimas. Mas o ciclo havia terminado. Eu precisava voltar. Sentimentos misturados me dirigiam no aeroporto à espera do voo, sozinha e ansiosa. Fiquei algumas horas procurando me acalmar e finalmente consegui. A sensação  transformou-se numa espécie de anestesia. Quase cinco anos em Israel, parecia uma vida inteira.
Ainda não havia caído a ficha, e no meio da viagem, chegando a Paris, uma crise de arrependimento. A voz interna dizia que eu estava avaliando a experiência pelas horas sentada numa poltrona desconfortável de avião, ao lado de uma criança e de um adolescente, e com receio do desconhecido que me aguardava.
Somente em Paris relaxei. No novo avião fui ouvindo o português e tudo foi me parecendo mais natural. Uma tranquilidade que já desconhecia, meio próxima da familiaridade, acalentou minha alma. O avião lotou de brasileiros que retornavam de uma viagem turística. Ao meu lado, conversavam felizes. Desejei ler um jornal, saber onde estava, como andavam meus patrícios. Ouvia os comentários e me divertia. Gente simpática para as onze horas que ainda tinha pela frente até chegar ao Rio. E depois, Porto Alegre, uma nova aventura.
Olhando esse pessoal brasileiro guardando sua bagagem, via que os israelenses realmente enlouquecem com nosso jeito descontraído. Uma mulher falando inglês com a aeromoça, junto com português, era um número à parte. Todos tagarelavam entre si, trocando receitas, contando casos, dominantes, engraçados, rindo de tudo. Esse humor foi fantástico naquele meu momento. A descontração foi encantadora para aliviar a tensão que me dominava, porque parei um pouco de pensar sobre a vida nova, e o que havia integrado da grande experiência em Israel. Ainda tive um susto na fila para entrada no Brasil. Fui chamada, mas era uma bobagem no passaporte. Enfim, cheguei bem.
Tudo parecia um sonho. Eu estava de volta, e as transformações na minha forma de ver a vida, só o tempo diria.

domingo, 9 de agosto de 2015

OLÁ!










RIO, SORRIO,

MAR, DOCE MAR,

ESTIVE ALYANDO,

E A PORTA QUE ESCOLHI,

ESTAVA BEM LONGE DE CASA.

PRECISEI ANDAR UM BOCADO PARA CHEGAR ATÉ ELA,

MAS QUANDO A ABRI,

A LUZ CUROU TODO O CANSAÇO,

E PUDE RETORNAR.